A boca seca ou xerostomia (termo médico) corresponde a sensação de secura excessiva na boca e lábios que se manifesta pela redução do volume de saliva ou alteração de sua qualidade dependendo da glândula envolvida, respectivamente a glândula parótida ou glândulas sublinguais.
Os sintomas dependem de gravidade dessas alterações, podendo incluir desde simples secura ou ardência na boca, passando por sensação de alteração de paladar, mau hálito, dentes sem brilho e cáries dentárias frequentes nos casos moderados até sensação de língua colada no céu da boca, dificultando a fala e a formação do bolo alimentar e a deglutição nos casos mais severos.
É importante diferenciar a xerostomia persistente de episódios isolados e pontuais de secura na boca, quepodemocorrer em momentos específicos, como ao acordar, após exercícios físicos, em ambientes muito secos e/ou quentes ou até mesmo após o consumo de bebidas alcoólicas e cafeinadas. Estes casos são geralmente associados a hidratação inadequada, transpiração excessiva e umidade do ar reduzida e são aliviados com a ingestão de água.
Frequência
Calcula-se que 20% da população geral apresenta sensação de boca seca. Esta prevalência aumenta com a idade podendo chegar até a 40% na população acima de 80 anos. Fatores de risco incluem desde a baixa ingestão de água, o sexo feminino e a idade avançada, até o uso de medicações concomitantes, principalmente na qualidade de polifarmácia, além da presença de doenças associadas, radioterapia da cabeça e pescoço e em pacientes respiradores bucais.
Agende sua consulta com a especialista em gastroenterologiaCausas
A. Uso de medicamentos: Calcula-se que mais de 400 medicamentos sejam capazes de alterar o fluxo salivar. Os principais são:
- Agentes anticolinérgicos: atropina, beladona, oxibutinina
- Antidepressivos e antipsicóticos: citalopram, haloperidol, fenelzina
- Diuréticos: furosemida, clorotiazida, hidroclorotiazida
- Agentes anti-hipertensivos: captopril, lisinopril, enalapril
- Agentes sedativos e ansiolíticos: alprazolam, diazepam, triazolam
- Relaxantes musculares: tizanidina, ciclobenzaprina, orfenadrina
- Agentes analgésicos: opioides e AINEs (anti-inflamatórios não esteroides)
- Anti-histamínicos: astemizol, loratadina, bromfeniramina
- Laxativos estimulantes: Cáscara sagrada, Fenolftaleína, bisacodil, sene
B. Radioterapia de cabeça e pescoço: a aplicação de 25 a 30 Gy de radioterapia fracionada na primeira semana é capaz de reduzir O fluxo em cerca de 50% a 60%.
C. Doenças Associadas
- Síndrome de Sjögren, que é caracterizada por secura oral e ocular e vaginal por destruição autoimune das glândulas envolvidas. A condição é mais comum em mulheres com mais de 40 anos de idade.
- Outras doenças autoimunes, como lúpus eritematoso sistêmico (LES), artrite reumatoide, doença da tireoide e cirrose biliar primária (CBP)
- Respiradores bucais crônicos
- Diabetes Mellitus mal controlada
Diagnóstico
Todo paciente com xerostomia persistente e refratária a hidratação deve ser submetido a investigação adequada, não só para restituir as funções fisiológicas comprometidas, mas também para prevenir complicações infecciosas e dentárias.
Esta investigação é iniciada com a anamnese que revela os sintomas presentes, duração, intensidade, as circunstâncias em que aparecem, além dos fatores de melhora e piora. O exame físico da boca é fundamental e deve ser sempre realizado, podendo evidenciar mucosa oral seca e sem brilho, ausência de lago de saliva na boca, dentes opacos e sem brilho, incapacidade de formação de bolo alimentar.
A confirmação objetiva e a graduação da gravidade do caso no entanto, implica na realização de testes objetivos como o TESTE DE SALIVA,v conhecido como SIALOMETRIA BASAL E ESTIMULADA, que mede a secreção de saliva espontaneamente ou após estímulos mastigatório e gustativo.
O diagnóstico da causa em si é realizado através de exames complementares (sorologias, anatomia patológica, bioquímica e exames de imagem)
Tratamento
O tratamento deve ser individualizado para cada caso de acordo com a etiologia encontrada e gravidade do caso.
Venha fazer sua avaliação clínica e complementar para que possamos propor a melhor abordagem no seu caso.
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