O que é refluxo gastroesofágico e por que acontece?
Postado em: 15/07/2025
Sensação de queimação no peito após as refeições. É basicamente isso que as pessoas acham que é refluxo gastroesofágico.
Mas o refluxo vai muito além disso e, como médica especializada em distúrbios de interação cérebro-intestino, posso afirmar: ele é um dos quadros mais comuns que recebo na clínica, e também um dos mais mal compreendidos.
Neste artigo, quero explicar de forma acessível o que é o refluxo gastroesofágico, por que ele acontece e como ele pode afetar sua qualidade de vida.
Ao longo do texto, vamos desmistificar essa condição e entender melhor seus gatilhos, diagnósticos e possíveis caminhos de tratamento..

O que é refluxo gastroesofágico?
O refluxo gastroesofágico acontece quando o conteúdo do estômago, que pode incluir ácido, enzimas e alimentos, retorna para o esôfago de forma anormal.
Esse “caminho inverso” irrita a mucosa do esôfago, que não está preparado para lidar com a acidez do estômago.
Esse retorno pode causar sintomas como:
- Azia (sensação de queimação no peito);
- Regurgitação (subida do conteúdo para a boca);
- Tosse seca persistente;
- Dor de garganta frequente;
- Sensação de “bolo” na garganta (globus);
- Rouquidão matinal.
Esses sintomas, em muitos casos, estão relacionados a hábitos alimentares, estresse, alterações funcionais e até questões emocionais, como ansiedade e tensão crônica.
Por que o refluxo gastroesofágico acontece?
O nosso sistema digestivo é extremamente coordenado. O esôfago leva o alimento até o estômago, e o esfíncter esofágico inferior (uma espécie de válvula) impede que o conteúdo gástrico volte.
Mas em pacientes com refluxo gastroesofágico, esse mecanismo de contenção pode estar comprometido por diversos motivos.
Causas mais comuns do refluxo gastroesofágico:
- Alterações na motilidade esofágica;
- Relaxamentos transitórios do esfíncter esofágico inferior;
- Aumento da pressão abdominal (obesidade, gravidez);
- Alimentos que reduzem o tônus do esfíncter (café, chocolate, álcool, frituras);
- Uso de medicamentos que favorecem o relaxamento muscular;
- Distúrbios funcionais do trato gastrointestinal superior.
É importante ressaltar que o refluxo não é apenas mecânico. Muitas vezes, ele está relacionado ao funcionamento do sistema nervoso entérico, o “cérebro do intestino”, que se comunica com o sistema nervoso central.
Por isso, o refluxo gastroesofágico é considerado um dos distúrbios de interação cérebro-intestino.
Diagnóstico: quando investigar?
Muitos pacientes chegam até mim relatando que já “tomaram de tudo para refluxo”, mas os sintomas persistem. Isso é bastante comum quando o tratamento é feito apenas com bloqueadores de ácido, sem uma investigação completa.
Quando o refluxo deve ser investigado:
- Quando há sintomas frequentes (mais de 2 vezes por semana);
- Quando há sinais atípicos, como tosse crônica ou rouquidão;
- Quando o paciente não responde bem aos tratamentos habituais;
- Quando há perda de peso involuntária, anemia ou dificuldade para engolir.
Nesses casos, podemos recorrer a exames específicos para avaliar o funcionamento esofágico e a presença de refluxo ácido ou não ácido.
Exames que ajudam no diagnóstico do refluxo gastroesofágico:
- Endoscopia digestiva alta
- PHmetria esofágica de 24h
- Impedanciometria esofágica
- Manometria esofágica
Esses exames são fundamentais para definir com clareza o tipo de refluxo (ácido, não ácido, funcional) e propor uma estratégia terapêutica mais eficaz e personalizada.
Como tratar o refluxo gastroesofágico de forma eficaz?
O tratamento deve ser individualizado. Muitas pessoas acreditam que basta tomar um “remedinho” para resolver o refluxo. Mas a verdade é que o tratamento eficaz precisa considerar uma abordagem mais ampla, que envolva:
- Ajustes alimentares;
- Reeducação dos hábitos de vida;
- Correção da postura e do padrão respiratório;
- Apoio emocional, quando necessário;
- Uso de medicamentos, apenas quando bem indicados;
- Monitoramento regular com reavaliação clínica.
O tratamento dos distúrbios de interação cérebro-intestino exige tempo, escuta e uma boa relação médico-paciente.
Refluxo e qualidade de vida: o impacto vai além do estômago
Um dos aspectos mais importantes, e muitas vezes negligenciado, é o impacto do refluxo gastroesofágico na qualidade de vida. A pessoa que convive com esse sintoma frequentemente:
- Dorme mal;
- Fica com medo de comer certos alimentos;
- Sente ansiedade ao sair de casa ou comer fora;
- Evita encontros sociais;
- Desenvolve medo de doenças mais graves.
Por isso, além do tratamento clínico, é fundamental acolher o paciente, escutar sua história e ajustar o plano terapêutico às suas necessidades reais.
O refluxo pode ser um dos sinais
Às vezes, o refluxo gastroesofágico é apenas o sintoma visível de um desequilíbrio maior.
Por isso, minha proposta na clínica é olhar com profundidade para cada caso, ouvir o que o corpo está tentando dizer e buscar um diagnóstico preciso, para um tratamento verdadeiramente eficaz.
Se você se identificou com o que leu até aqui, agende sua consulta. A escuta atenta e o cuidado individualizado fazem toda a diferença no seu caminho de melhora.
Vamos dar um passo além na sua saúde digestiva?
Se você convive com sintomas de refluxo, não precisa aceitar isso como parte da sua rotina. Um acompanhamento especializado pode mudar completamente sua qualidade de vida.
Entre em contato e agende sua consulta comigo.
Profa. Dra. Luciana Lobato
CRM: 59763/SP
RQE: 122928 – Gastroenterologia